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Um guia de campo  ·  Nº 01  ·  A conversa individual

SHIFT

A conversa individual que funciona em qualquer cultura.

Um conjunto de cinco movimentos escrito para todos, porque uma conversa individual de verdade exige responsabilidade compartilhada e inclusão.

De onde isto vem

Margin. Notas de campo sobre liderança. Uma observação, um padrão, um movimento. Cinco minutos, toda terça, de Rui Bashir.

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A quase todos nós ensinaram a fazer a pergunta aberta e depois ficar no silêncio. É um ótimo conselho para a sala em que foi escrito. Em outra cultura, esse mesmo silêncio pode soar como reprovação. A pessoa do outro lado da mesa se retrai, diz o que acha que você quer ouvir, e quem conduziu sai achando que a reunião foi um sucesso.

A conversa individual é o único espaço na agenda onde o importante mas não urgente é dito enquanto ainda é fácil de resolver. A pergunta é o motor, e quem mais aproveita isso pergunta mais do que fala. O que a faz atravessar uma fronteira é a entrega: uma pergunta que funciona bem numa sala precisa de um pequeno ajuste na seguinte. A solução não é fazer menos perguntas. São perguntas feitas para viajar.

A Gallup constatou que os gestores respondem por pelo menos 70 por cento da variação no engajamento das equipes. A conversa individual é onde a maior parte dessa variação se ganha ou se perde.

Source: Gallup, Managers Account for 70% of Variance in Employee Engagement
Leia duas vezes

Este guia foi escrito para todos na sala, porque a pessoa sentada à sua frente também conduz essa reunião. Cada movimento tem uma linha para cada um de vocês.

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A conversa individual
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O método

Os cinco movimentos

Os mesmos cinco movimentos, sempre, para que a sala saiba o que esperar. O que muda é como você pergunta.

S

Sintonizar o ambiente

A reunião começa antes da reunião.
Se você conduz. Reserve 30 minutos, feche o laptop, releia o que foi combinado da última vez. Entre sabendo as metas da pessoa, não só as tarefas.
Se você está do outro lado. Leve uma coisa real, não uma lista de status. Este é o espaço onde se diz o que o corredor não carrega.
H

Humano primeiro

Comece pela pessoa, não pela tarefa.
Se você conduz. Pergunte como a pessoa está de verdade, e escute além do ponto confortável. As pessoas levam os problemas reais a quem primeiro as tratou como gente.
Se você está do outro lado. Responda com honestidade. O começo não é conversa fiada. É ali que se decide quanta verdade essa reunião aguenta.
I

Incentivar, não interrogar

A pergunta é o motor. Pergunte, não explique.
Se você conduz. Comece com perguntas abertas cuja resposta você não sabe. “O que você mudaria?” vence “é isto que precisa mudar”. Resista a resolver no lugar da pessoa.
Se você está do outro lado. Trate a pergunta como um convite de verdade. Pense em voz alta. Quem pergunta em vez de falar está te passando o volante.
F

Flexibilizar para a cultura

A mesma pergunta abre uma sala e fecha outra. Adapte a entrega, mantenha a pergunta aberta.
Se você conduz. Ajuste quatro botões para a pessoa à sua frente: o quanto a pergunta é direta, quanto silêncio você deixa, quem fala primeiro, e onde a crítica difícil acontece. A próxima página é o como.
Se você está do outro lado. Diga a quem conduz como você trabalha melhor. Não espere ser adivinhado.
T

Traçar o compromisso

Uma conversa sem compromisso é um bate-papo agradável.
Se você conduz. Feche com o que cada um assume, e até quando. Deixe o resumo com a outra pessoa, não com você. A responsabilidade começa com a caneta.
Se você está do outro lado. Escreva e envie. Da próxima vez, espere que a primeira pergunta seja sobre o que você disse que ia fazer.
Duas regras sustentam os cinco.

Faça a preparação, sempre. E a conversa individual vive entre as conversas: recoloque na mesa, uma vez, o que preocupava da última vez, e você prova que a reunião foi real.

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Os cinco movimentos
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O movimento que viaja

Flexibilizar para a cultura

O conselho que quase todos copiamos é simples: faça a pergunta aberta e depois fique no silêncio. Funciona muito bem na sala em que foi escrito. Em outro lugar, a mesma entrega cai diferente, e a pergunta que abriu uma pessoa deixa outra tentando descobrir o que você prefere ouvir. Quatro coisas se movem entre salas. Observe-as na pessoa à sua frente, porque o que é verdade sobre um lugar nunca é verdade confiável sobre quem está sentado na sua frente.

1 · Franqueza

O que você vai ouvir. Uma resposta que fica no geral quando você perguntou algo específico.

Pode ser. Alguém que ainda não decidiu se aqui é seguro ser franco. Ou alguém para quem nomear um problema abertamente custa mais do que custaria a você.

Seu próximo movimento. Tire o peso da pessoa e coloque no trabalho. “Se fizéssemos de novo, o que você mudaria?” A pergunta é do mesmo tamanho. A exposição não.

2 · Silêncio

O que você vai ouvir. Você pergunta, e não volta nada.

Pode ser. Alguém pensando, e o que voltar vai valer a espera. Ou alguém lendo o seu silêncio como um veredito. De onde você está, os dois parecem iguais.

Seu próximo movimento. Diga algo em vez de adivinhar. “Vá no seu tempo. Me interessa como você está vendo isso.” E espere de novo. O segundo silêncio costuma dizer o que era o primeiro.

3 · Quem fala primeiro

O que você vai ver. Você termina, e a pessoa espera.

Pode ser. Respeito. Para muita gente, deixar quem tem o cargo falar primeiro é o que é educado.

Seu próximo movimento. Entregue em voz alta. “Quero a sua leitura antes da minha.” E então pare de falar. Se você preencher o espaço, vai conseguir concordância, e nunca vai saber se era real.

4 · Onde a crítica acontece

O que você vai notar. A correção que você deu não pegou, ou pegou muito mais forte do que você queria.

Pode ser. O lugar, mais que as palavras. Ser corrigido na frente dos outros custa diferente para cada pessoa, e esse custo raramente aparece no rosto.

Seu próximo movimento. Dê a parte difícil a sós, e o crédito onde todos possam ouvir. Quando estiver em dúvida, pergunte como a pessoa prefere receber. Quase ninguém foi perguntado, e vão te dizer.

A regra por trás

A pergunta continua aberta, a entrega se adapta à sala. Isso é uma conversa individual que viaja.

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Flexibilizar para a cultura
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A conversa individual em uma página

Imprima. Fixe. Leve.

A conversa individual é onde a verdade chega no tempo certo. Rode os mesmos cinco movimentos toda semana, e adapte a pergunta à pessoa à sua frente.

Esta página é clara de propósito. Imprima em preto e branco.
Se você conduzSe você está do outro lado
SSintonizar Prepare, privacidade, releia a última vez. Saiba as metas, não só as tarefas. Leve uma coisa real, não uma lista de status.
HHumano primeiro Comece pela pessoa. Escute além do confortável. Responda com honestidade. Defina quanta verdade a reunião aguenta.
IIncentivar Faça perguntas abertas cuja resposta você não tem. Não resgate. Aceite o convite. Pense em voz alta.
FFlexibilizar Ajuste franqueza, silêncio, quem fala primeiro, onde a crítica acontece. Diga como você trabalha melhor. Não espere ser adivinhado.
TTraçar Combinem quem assume o quê, e até quando. A caneta fica com a outra pessoa. Escreva, envie. Espere que volte na próxima.
A regra que sustenta tudo

A reunião começa antes da reunião, e a conversa individual vive entre as conversas. Recoloque na mesa, uma vez, o que preocupava da última vez, e você prova que a reunião foi real.

O que evitar
✕ O sequestro pelo status. Se virou relatório de projeto, deixou de ser uma conversa individual. Qualquer um dos dois pode dizer: “A gente deixa o status de lado e usa isto para a outra coisa?”
✕ A porta aberta como sistema. “Você sabe onde me encontrar” é uma boa intenção. Um horário fixo na agenda faz o trabalho que a porta aberta pretendia fazer, e qualquer um dos dois pode marcá-lo.
✕ O sanduíche. Embrulhar o que importa entre dois elogios enterra o recado. Diga o que importa, e depois ajude a pessoa a carregar. Do outro lado, você pode pedir direto: “Me dá o recado de verdade.”
✕ O resgate. Responder à própria pergunta não ensina nada. Deixe a pausa. Do outro lado, quando alguém responder por você, retome: “Deixa eu tentar primeiro.”
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A conversa individual em uma página
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